Bert Sommer - Inside Bert Sommer [1969]


Origem:
Estados Unidos

Início e fim da banda:
1967, 1977

Álbuns lançados:
The Road To Travel (1968)
Inside Bert Sommer (1969)
Bert Sommer (1970)
Bert Sommer (1977)

Para você que gosta de:
Folk

Curiosidades:
Bert Sommer tocou no primeiro dia do festival de Woodstock, 15 de agosto, também conhecido como o "dia folk". Mas, ao contrário do que aconteceu com outros músicos que participaram do evento, sua carreira não foi catapultada e Bert permanece como um artista cult até hoje. Ele morreu em 1990.


Strife - Back To Thunder [1978]

Strife - Back To Thunder

Origem:
Inglaterra

Integrantes:
John Reid - guitars, lead vocals
Gordon Rowley - bass, gong, backing vocals
David Williams - drums, percussion, backing vocals

Início e fim da banda:
1969, 1979

Álbuns lançados:

Para você que gosta de:
Hard Rock

A monstrous psychedelic bubble vol. 2: Pagan love vibrations

A monstrous psychedelic bubble vol. 2: Pagan love vibrations

Origem:
Inglaterra

Integrantes:
Brian Dougans, Garry Cobain

Início e fim da banda:
1993, em atividade (2011)

Álbuns lançados:
5 [Tales of Ephidrina - 1993] [The Isness - 2002] [The Otherness - 2004] [Alice in Ultraland - 2005] [The Peppermint Tree and Seeds of Superconsciousness - 2008]

Para você que gosta de:
Psicodelia, Folk

Curiosidades:
Não achei nada sobre a banda - nem sei se é banda - mas essa é uma bela coletânea psicodélica. O nome dos caras é Amorphous Androgynous e eles tem diversas compilações com eletrônico viajado, pode conferir o myspace e curtir a viagem.  

Você pode conferir o tracklist na continuação da página.
  

Mandy Morton And Spriguns - Magic Lady [1978]

Informaçãos sobre a banda já foi postada aqui no blog, você pode dar uma olhada no retrovisor por esse link. 

Mandy Morton And Spriguns - Magic Lady
2°opção de download

Woodstock: 40 Years On

Woodstock: 40 Years on: Back to Yasgur's Farm.

Box comemorativo dos 40 anos de Woodstock, lançado em 2009.

Discoteca básica de revista Bizz - parte VI



(Edição 26,Setembro de 1987)

No fim da década de 60 a música brasileira passava por um impasse. A força inovadora da bossa nova - a possibilidade de se fazer uma leitura sofisticada e universal do samba - já havia passado do auge. Os continuadores da bossa nova descambavam para a chamada "música de protesto". Na vertente oposta, a versão local do "iê-iê-iê", a jovem guarda não primava pela criatividade. A tropicália implodiu a questão quando fez a ponte entre essas duas atitudes aparentemente inconciliáveis. A liberdade formal do tropicalismo foi um sopro de novidade. Se estendia desde a escolha dos ingredientes de sua geléia geral - de Vicente Celestino aos Beatles, passando (claro) por João Gilberto, - até roupas e capas de disco, fortemente influenciadas pelo psicodelismo.

Transa é o segundo LP do Caetano Veloso pós-tropicalista e o primeiro depois de seu exílio em Londres. Se o tropicalismo foi uma resposta pop aos tradicionalistas da MPB, Transa é uma espécie de reflexão em tons cinzentos sobre esse período. Na edição original era um disco-objeto: a capa se dobrava de maneira a formar um poliedro triangular. Foi produzido por Ralph Mace, o inglês que já havia produzido em Londres o seu disco anterior (Caetano Veloso, de 1971).
Transa é um disco bilingüe. Não só pelo fato de ser cantado em inglês e português, mas por transitar em duas linguagens musicais: o rock e a MPB. Mesmo recheado de referências e citações dos Beatles ("Woke up this morning/ singing an old beatle song", em "It's a Long Way") e da bossa nova (trecho de "Chega de Saudades" que Gal canta em "You Don't Know Me"), ele declara sua indepedência de compromissos com qualquer forma de fazer música. Afinal, é como diz uma das mais belas canções do disco, "Nine Out of Ten" (onde pela primeira vez ouvimos falar em reggae): "the age of music is past".
Assim, canções com uma estrutura mais convencional convivem neste disco com faixas como "Triste Bahia", um longo diálogo entre baixo e berimbau com trechos de um poema do poeta baiano oitocentista Gregório de Mattos ("Triste Bahia/ Oh, quão dessemelhante/ estais e estou no mesmo antigo estado/ a ti tocou-te a máquina mercante/ que em tua larga barra tem entrado") e de cantos de capoeira e afoxé - mais de seis minutos de uma longa litania que acaba num crescendo angustioso.
Ou então uma linda versão de "Mora na Filosofia", de Monsueto, com um brilhante arranjo que alterna momentos de economia - apenas baixo, violão e voz - com climaxes ("Pra que rimar amor com dor") com a percussão. Aqui, Caetano repete uma idéia utilizada no tropicalismo: a de recuperar perolas esquecidas da MPB, rearranjadas de forma moderna - e às vezes bastante inusitada -, coisa que irá repetir ao longo de sua carreira.

As letras falam o tempo todo de desterro - não o que ele viveu realmente, mas uma espécie de desterro tanto em relação à cultura brasileira quanto em relação à cultura pop. Começa com "You Don't Know Me" (em que Caetano faz um trocadilho com at all e Apple, a gravadora dos Beatles). Daí vem "I'm alive/ vivo/ muito vivo" - com o duplo sentido de "I'm alive/ I'm a lie" - para concluir depois: "That's what rock and roll is all about", sempre invadidos por trechos de canções folclóricas e tradicionais.
Transa é um exemplo de como podem ser inteligentemente trabalhadas as referências folclóricas e as cosmopolitas, o simples e o sofisticado. O resultado é o melhor disco de Caetano Veloso - que, apesar dos Meninos do Rio e outras babas afins posteriores, já teve momentos realmente brilhantes como compositor e letrista. E uma dica para quem tem má vontade com a música brasileira.

Bia Abramo


(Edição 27,Outubro de 1987)

O barulho acompanha a formação do universo, a grande explosão primeira, os sons da natureza, fontes de terror, fascínio que o homem procurou dominar para dar forma aos rituais de sacrifício, festa, guerra, luto etc. A partir dos sons, arquitetou-se a música que foi evoluindo através dos séculos. No século XX, redescobriu-se a dissonância (Stravinski), apareceram os sons eletrônicos (Varése, Stockhausen, Cage) e concretos (Schaeffer), mas a abordagem popular da música derivada do folclore sempre se manteve dentro de padrões essencialmente conservadores, cada geração curtindo um estilo, uma moda (blues, jazz, rock, soul...), todas variações em torno de uma mesma estrutura básica. Com o advento do sintetizador e a evolução das técnicas de gravação em estúdio, o rock'n'roll foi se sofisticando, as bandas injetando eletricidade em torno da mesma estrutura, procurando desesperadamente renovar a música dita pop.
É justamente em 1975, ano considerado o menos criativo da década, que Brian Eno sugere (melhor do que lança) "Another Green World", após quatro anos de provocações e extravagâncias glitter, dois dos quais passados a colocar Roxy Music nos trilhos. Poderia ter sido mais um LP de pop music. Os nomes dos músicos convidados podem enganar: Robert Fripp, o inevitável Phil Collins e John Cale (ex-Velvet Underground), para citar os mais famosos. O que se descobre é um álbum de 14 canções e miniaturas instrumentais onde os climas se alternam em tons e semitons suaves, em que a eletrônica tem um papel básico. As melodias são simples, as harmonias são reduzidas ao mínimo de notas, os instrumentos se sobrepõem por camadas (Eno toca sozinho metade das faixas), e todos sem exceção sofrem um tratamento específico, têm sua sonoridade alterada, seus timbres modificados. Onde o Pink Floyd, por exemplo, recorre a efeitos acústicos para fins ilustrativos, Eno incorpora sintetizadores, vozes e efeitos como um todo orgânico. Estamos ouvindo pela primeira vez um disco de rock em que a preocupação principal é com a textura dos sons, linhas do tecido musical, como meio de criação de uma atmosfera.
As atmosferas claras, luminosas de "St. ElmoÕs Fire" (com solo perfeito de Fripp) ou "I'll Come Runing" alternam com as atmosferas inquietantes de "Sky Saw", que abre o álbum com uma base de quatro notas econômicas de guitarra "digital", ou "In Dark Trees", instrumental em que as guitarras recriam o efeito da buzina de um veículo em movimento. Além dos teclados, sintetizados ou não, Eno toca uma série de instrumentos inusitados: uma guitarra "serpente", outra "desértica" e até uma chamada "porrete", órgãos "encrespados", piano "incerto", um gerador de ritmos tratados, percussões elétricas, sintéticas, peruanas, "espasmódicas", "elementos elétricos", sons "não naturais" e fitas constam da ficha técnica.
Em 1982, Eno chegou a tecer alguns comentários a respeito: "Neste disco, procurei inscrever cada composição numa paisagem específica, de modo que o ambiente determinasse as formas de atividade instrumental que poderiam ocorrer. Isto se deu com mais freqüência por meio de efeitos de eco mecânicos e eletrônicos e delays; ecos da curta repetição sugerindo espaços urbanos retilíneos, por exemplo, e até hoje essas possibilidades têm sido usadas realisticamente para evocar espaços que fossem reconhecíveis. De "Another Green World" em diante, voltei meu interesse para o exagero e a invenção mais do que para a reprodução de espaços, experimentando em particular várias técnicas de distorção do tempo..."
O álbum teve uma repercussão razoável quando lançado. Mas abriu novos horizontes para "um outro mundo verde" , cuja influência é determinante para a música deste final de século.

Jean Yves Neufville

Spriguns - Revel weird and wild [1976]

Spriguns - Ravel weird and wild [1976]

Origem:
Inglaterra

Integrantes: 
Mandy Morton: vocals
Mike Morton: vocals
Chris Russon: guitar
Rick Thomas: fiddle
Tom Ling: fiddle
Dick Powell: keyboards
Chris Woodcock: drums
Dennis Dunstan: drums
Wayne Morrison: guitar

Início e fim da banda:
1972, 1979

Álbuns lançados:
5 [Rowdy, Dowdy Day - 1974] [Jack With A Feather - 1975] [Revel, Weird & Wild - 1976] [Time Will Pass - 1977] [Magic Lady - 1978]

Para você que gosta de:
Folk

Curiosidades:
A banda começou com o nome de Spriguns of Tolgus, lançando os dois primeiros álbuns. Em 1976 encurtaram o nome e lançaram mais dois álbuns. A banda muda de nome novamente em 1978, passando a se chamar Mandy Morton and Spriguns e lança o último disco. 

A vocalista Mandy Morton após o fim da banda seguiu carreira solo, largou as tradições folk e enveredou para o rock convencional, lançou dois discos, o primeiro, Sea of Storms, em 1979 e o segundo, Valley of Light, em 1983. Sem o almejado sucesso, ele voltou a Inglaterra para trabalhar na rádio BBC Cambridge.

O vocalista Dick Powell é o líder da banda de baile The Cambridge Melodybeats.
Diz a lenda que Wayne Morrison e Dennis Dunstan chegaram a trabalhar com Dennis do Fleetwood Mac, mas como chefes de seguranças.

Mushroom - Early one morning [1973]

 Mushroom - Early one morning [1973]

Origem:
Irlanda

Integrantes:
Aonghus McAnally: guitar, recorder, tin whistle, vocals
Colm Lynch: percussion, wind chimes, wood chimes, vocals
Alan Brown: bass, 12-string guitar, vocals
Michael Power: organ, harpsichord, Moog, vocals
Joe O'Donell: violin
Pat Collins: violin, electric mandolin, vocals

Início e fim da banda:
1970, 1974

Álbuns lançados:
1 [Mushroom - Early one morning - 1973]

Para você que gosta de:
Progressivo Folk

Curiosidades:
Seu álbum contém características tradicionais da música céltica, com tratamento delicados e pitadas de hard rcock em suas melodias. Seu LP, quando lançado, alcançou a segunda posição nas paradas irlandesas, chegando a vender 100 mil cópias.

O violinista Joe O'Donell lançou dois álbuns solos após o fim da banda, o primeiro em 1977 e o segundo em 1986. O membro mais prolífico chegou a participar de diversas bandas, como Granny's Intentions, Sweet Street, The Orange Machine, The Woods Band, Trees, East of Eden, Headstone, Joe O'Donnell Band, Joe O'Donnell's Shkayla, entre outras.

Discoteca básica da revista Bizz - parte V




(Edição 21,Abril de 1987) 

Polêmico, este disco. Gravita entre a absoluta adoração de sues fiéis e a crítica não menos feroz dos seus detratores. É bom sinal. Será mesmo a Grande Obra de Roger Waters (baixo, vocal), Rick Wright (teclados), David Gilmour (guitarra, vocal) e Nick Mason (bateria)? Alguns poderão preferir "The Piper at the Gates of Dawn", de 1967, o primeiro LP da banda, quando seu líder era um louco iluminado e genial chamado Syd Barrett, ou ainda Ummagumma, de 1970, a soma definitiva do rock psicodélico. Quem sabe os mais de 20 milhões de cópias de "Dark Side..." vendidas no mundo inteiro e sua permanência por 630 semanas consecutivas nas listas dos mais vendidos da Bilboard - recorde absoluto - possam ratificar essa escolha. Mesmo que as más-línguas digam que muitos o adquiriram apenas para testar a estéreo-quadrifonia de seu equipamento de som... o que não deixa de ser um elogio, de certa forma. 
Foram oito meses de gestação nos famosos estúdios Abbey Road de Londres, em clima geral de renovação. A palavra de ordem: a música deveria ser mais amarrada, mais próxima à urgência do rock. Ao final de 1972, o material está pronto. Para fazer a mixagem, Roger Waters chama Chris Thomas, que já havia participado da mixagem do duplo álbum "branco" dos Beatles e produzido os LPs "Grand Hotel", do Procol Harum, e "For Your Pleasure", do Roxy Music. "Cada um tinha uma idéia diferente do que devia ser feito. Precisavam fazer a síntese de tudo isso." Todos concordavam com pelo menos uma coisa - a ordem dos títulos deveria transmitir uma idéia de progressão e variação em torno de um mesmo tema: "São todas as pressões da vida moderna que podem nos levar à loucura. Essas pressões têm por nome dinheiro, viagens, planejamento, que nós músicos sentimos muito mais que o homem da rua. Quando tudo vacila, chega-se ao estado patológico do lunático" (David Gilmour). Pela primeira vez o Pink Floyd aderia ao concept album. 
Todas as faixas foram concebidas como filmes sonoros, feitos de bandas magnéticas preparadas por Nick Mason. Batidas de coração, respiração, passos, relógios, risos histéricos, gritos, moedas caindo e caixas registradoras não somente servem de ilustração como se integram à própria estrutura rítmica da cada composição, em particular na seqüência "Speak With Me"/ "Breathe"/ "On The Run" e em "Money", hit entre os hits. Se a força da evocação desses sons é extraordinária, eles não interferem com os momentos mais líricos do álbum, como em "The Great Gig in the Sky", onde, sobre fundo de piano e órgão Hammond, Clare Torry edifica uma interpretação vocal que ficará entre as mais pungentes e líricas da década. Em "Brain Damage", Roger Waters tece uma vibrante homenagem a Syd Barrett, numa reconstituição poética atormentada do universo poético da alienação. 
Se "Dark Side..." parece trazer uma certa pasteurização do som da banda, se os caleidoscópios de cores que dominavam as longas viagens lisérgicas dos LPs precedentes se transformaram num prisma de onde as cores surgem ordenadas e limpas (uma metáfora certeira para descrever a nova importância do estúdio, agora transformado em espaço central de criação, o que torna a música mais artificial e deixa seus autores mais distantes), em compensação, os avanços técnicos primorosos exibidos por este álbum - em particular a tomada de som, a cargo de um certo Alan Parsons... - ajudaram a banda a alcançar uma força de expressão cósmica capaz de unir o passado à modernidade, que só encontra paralelo num disco lançado por coincidência no mesmo ano, a trilha sonora de "Laranja Mecânica". 
Levantando as barreiras que opunham até então as gerações musicais, Pink Floyd joga as bases para a criação de uma música ao mesmo tempo moderna e universal. 

Jean-Yves de Neufville


(Edição 22,Maio de 1987) 

Malcolm McLaren sabia que os "pais da matéria" estavam nos EUA. Foi lá que ele buscou inspiração para que o movimento punk acontecesse - de forma concentrada - na Inglaterra. O que seria do punk sem o despojamento dos N.Y. Dolls, a demência dos Stooges, o antilirismo do Velvet e a agressividade do MC 5? E não foram só estas - todas elas, bandas extintas anos antes do punk - as fundamentais. Nova York fervilhava de bandas que acabariam traçando os moldes do que viria depois do punk. Eram as bandas new wave de Nova York e, dessas, a mais importante, ao lado dos Talking Heads e dos Voidoids de Richard Hell, foi o Television. 
A história deles começa com o grupo Neon Boys, fundado por Tom Verlaine (guitarra/vocais) e Richard Hell (baixo/vocais) em 71. Richard Lloyd (guitarra) e Billy Ficca (bateria) completavam o grupo, que alguns anos depois mudaria de nome para Television. Hell saiu por volta de 74, e Fred Smith, ex-baixista da Blondie, foi chamado para substitui-lo. Em 74, o TV gravou um single e em 77 eles assinaram com a Elektra para gravar o "Marquee Moon", o primeiro LP. 
Em meio à avalanche punk em que a maioria das bandas fazia um som rápido e primário (Ramones, Dead Boys) ou flertava com o pop (Blondie, Marbles), o Television optava por uma linha musical mais elaborada, com melodias harmoniosas, convivendo com ruídos e músicas longas que, ao vivo, se transformavam em verdadeiras jam sessions. 
O som do TV remete a uma gama de referências musicais, que vão de Byrds a Neil Young, de Doors a Velvet Underground. Não que o TV soasse como uma das bandas citadas. Ela parecia querer ser todas elas ao mesmo tempo e um pouco mais. 
A música de "Marquee Moon" é leve em seus ingredientes e pesada em sua atitude. Os instrumentistas não usam efeitos ou pedais. É rock'n'roll puro, de uma fluidez impressionante. Verlaine e Lloyd formam uma das duplas de guitarristas de rock que mais deram certo. Ambos solam, se alternam em riffs, bases e harmonias. Ambas as guitarras - principalmente a de Verlaine - alcançam sonoridades que às vezes parecem com guinchos, grunhidos e gritos. Ficca e Smith formam uma cozinha "à francesa" leve, com toques jazzísticos, sem abusos. 
As letras - todas de Verlaine - sugerem mais do que dizem, como na faixa de abertura "See No Evil" ("Eu entendo tudo/ a destruição urge/ela parece tão perfeita/eu vejo/eu não vejo nenhum mal"). As texturas sonoras são molduras perfeitas para as letras, como na faixa seguinte, a balada "Venus", em que Verlaine cai "direto nos braços da Vênus de Milo". Em "Friction" o destaque vai para o solo esquizofrênico de Verlaine, assim como na comprida "Marquee Moon" (que, aliás, tem um belíssimo falso gran finale). 
O lado B começa com uma jóia, "Elevation" ("A última palavra/é a palavra perdida/por que você não o diz então?"), onde o junkie Lloyd faz um solo emocionante. "Guiding Light" (única co-parceria de Verlaine no disco - com Lloyd) é mais uma balada que demonstra a sensibilidade harmônica de Verlaine. Em "Prove It", a combinação de base sonora simples com o caleidoscópio de images evocadas por Verlaine é mais uma vez perfeita. Em "Tom Curtain", a última música do disco, outra magnífica combinação: a voz chorosa de Verlaine relembra os anos passados, enquanto sua guitarra estridente rola suas lágrimas mais amargas. 
Nem o Television (que acabou em 79) nem seus integrantes em carreira solo conseguiram fazer um disco à altura de "Marquee Moon" (que na edição nacional saiu com um ridículo carimbo de "punk rock" na capa). É este o disco que prova que eles eram, instrumentalmente, uma das bandas mais integradas da década de 70, e não há músico ou não-músico - de qualquer gênero - que, ao ouvir o disco, não se convença disto. 

Celso Pucci/Thomas Pappon

Dr. Strangely Strange - Discografia

Origem:
Dublin, Irlanda

Integrantes: 
Tim Booth: Vocal e guitarra 
Ivan Pawle: Baixo e teclado 
Tim Goulding: Vocal e teclado 
Joe Thoma: Bandolim e violino

Início e fim da banda:
1967, em atividade (2011)

Álbuns lançados:
4 [Kip of the Serenes - 1969] [Heavy Petting - 1970] [Alternative Medicine: The Difficult Third Album - 1996] [Halcyon Days - 2007]

Para você que gosta de:
Folk, Psicodelia, Progressivo Folk

Curiosidades:
O álbum de 1970 teve a participação de Gary Moore na guitarra. Em 1970, Tim Goulding saiu da banda para entrar num mosteiro budista. O grupo se desfez em 1971, retornando em 1973 para uma turnê irlandesa e em 1980 para nova turnê.

Em 1996 seus integrantes se reúnem para lançar o terceiro álbum, novamente uma pausa até 2007 quando lançam o quarto cd e voltam a cena musical em shows pela Irlanda e Inglaterra.

Dr. Strangely é um importante grupo musical, são por eles influenciados a nova geração de rock irlandesa, como Thin Lizzy, Phil Lynott, Gary Moore, entre outros.